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ALCIDES BAIÃO PUDOR DE SEDUÇÃO

(Es)corre-lhe das veias a Alma de ousados brancos bons, de inocentes índios nus, de escravos que nasceram p'ra ser Livres...

Pintura, escultura, cerâmica... Arte !

O desenho é o seu Princípio, projectado no relevo (que merece), dando forma aos corpos, como se, num paradoxo de ternura, os esmagasse sem estragar...

Erotismo picante e colorido (em suspensão) censurado por olhos que ficam em branco, raiados de rosa, em rostos sem coragem ou expressão...

São curvas e curvas, por vezes num traço ininterrupto e demorado, rigorosa carícia na devida proporção, seguida pelo atento olhar guloso de um voyeur sempre em acção...

Pelo na venta. Perfeccionista. Sanguíneo guerreiro que veio de longe (e que irá mais Além). Fruto do Atlântico Sul. Apaixonado pela Mulher. Para não perder o Norte !...

Jorge Urbano Tavares Rodrigues


ALCIDES BAIÃO

A modernidade de Alcides Baião, emerge duma interessante simbiose entre formas corporais que respeitam os cânones da tradição clássica, ainda que exibam uma evolução longuilínea - que não deixa de lembrar El Greco - e de outras formas que sugerem ambientes ou "décors" filtrados de alguma Banda Desenhada, praticada pela vanguarda europeia.

O tema proposto por A. Baião é a mulher omnipresente - a mulher na sua sensualidade quente, expontânea, não obstante nela transparecer sempre um ideal de pureza. Estamos em presença duma dualidade sensualidade "versus" pudôr, que por vezes, evidencia mesmo inquietação ou perturbação, numa atmosfera de delirante onirismo.

Sem que o efeito dramático das composições e esta perturbação ou inquietação nele evidenciada, seja atenuado, o artista utiliza todavia, uma paleta de côres e uma diversidade cromática que podemos considerar de influência tropical, na sua riqueza de matizes e contrastes de vivas côres, bastante saturadas, a que não será alheio o facto de aquele ser oriundo do estado da Baia, no Brasil.

Os contrastes vivos de luz, acentuam a profundidade das formas corporais femininas, aproximadamente realistas no seu todo, mas minimalistas ou redutoras nos pormenores - estes ausentes - face a uma envolvência artificial/onírica, sugerida, não raras as vezes, por elementos composicionais esféricos, sob a égide duma ambiência surrealizante, que também recorre à "collage" de elementos dispersos e de influência cultural diversa - quase sempre mística.

José Pedro Maia e Silva, Fev-1994

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